“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

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Olá amiguinhos, vejam só essa questão da UFG – 2013

UFG - 2013

Adivinhem qual alternativa o examinador queria? Óbvio que a letra C.

– Mas Calçada, você não disse que a frase da letra C não é de Lavoisier?

De fato, a rigor a questão não tem resposta. A frase não é de Lavoisier, mas tanta gente diz isso que até a UFG caiu nessa. Na verdade, a frase, segundo Vanin (1994) seria um resumo do Livro I do poema De Rerum Natura (disponível em http://books.google.pt/books?id=3d49AAAAcAAJ&hl=pt-BR&pg=PR2#v=onepage&q&f=false). 

Para uma consulta mais rápida leia: O Lavoisier que não está nos livros da escola, da revista QNEsc. Ou melhor ainda, mas esse é difícil de encontrar: Alquimistas e químicos, o passado o presente e o futuro. José Atílio Vanin, 1994, Ed. Moderna. Que é a fonte citada pelo autor do artigo acima.

– E o  que faço se cair uma questão assim?

Infelizmente você terá que tentar adivinhar o que o examinador quer. Mas isso não era difícil nessa questão, certo?

 

 

Como funciona a Aspirina (AAS)

Em 1998 foi celebrado o centenário de produção da aspirina, um remédio geral para dores de todo o tipo tais como: dores de cabeça, de dente, a artrite, entre outras. No entanto, seu modo de ação continua um mistério. Por mais de 2500 anos o ácido salicílico tem sido utilizado para tratar uma grande variedade de doenças. Em 400 a.C., Hipócrates recomendava o uso de folhas de salgueiro, uma fonte natural de salicilatos, para diminuir as dores de parto, e Galeno, centurião e fisiologista romano, indicava o uso de extratos de salgueiro para aliviar a dor, a febre e a inflamação. Referências ao uso de salicilatos que ocorrem na natureza podem ser encontradas em textos da idade média e do renascimento.

Estudos científicos

Entre 1757 e 1763 o reverendo Edward Stone realizou os primeiros estudos científicos de uma fonte natural de salicilatos. Naquela época, a malária era endêmica em na Inglaterra e a única fonte de cura era o quinino, extraído da casca da cinchona. Entretanto, a casca da cinchona era importada da América do Sul e era muito cara. Stone percebeu que a casca do salgueiro branco da Inglaterra tinha um gosto parecido com o da cinchona. Ele também observou que o salgueiro crescia em locais onde a malária era comum. Daí a sugerir que o salgueiro continha a cura para a maleita foi mais um passo, e sua “intuição” foi testada com êxito em 50 pacientes, sendo seus resultados apresentados à sociedade real londrina. Mais de 60 anos depois, Fontana e Brugnatelli extraíram o agente ativo, a salicina, do salgueiro. Este glicosídeo do ácido salicílico foi convertido no ácido salicílico por Píria em 1839. O ácido é sintetizado hoje por um processo desenvolvido por Kolbe e Lautemann em 1860 (usando hidróxido de sódio, fenol e CO2). Em 1870 um dos pupilos de Kolbe, Friederich von Heiden, montou uma fábrica do ácido e a disponibilidade do ácido purificado e barato levou à expansão do uso da droga na década seguinte. O ácido salicílico, no entanto, nunca teve o status de droga milagrosa, principalmente por ser toxico para o estômago, causando diarréia e vômitos como efeitos colaterais. Em 1893, Arthur Einchengrun, chefe da seção farmacêutica da companhia Bayer, deu a Felix Hoffmann, um empregado de apenas 29 anos de idade, a missão de encontrar uma alternativa menos tóxica. Quatro anos mais tarde Hoffmann retornou com um nove derivado, o ácido acetilsalicílico – o qual segundo ele era mais leve para o estômago. Aparentemente, Hoffmann foi motivado pelo fato de seu pai ser vitima de artrite e não poder tomar o ácido salicílico sem vomitar. No entanto, o derivado de Hoffmann aliviava o sofrimento de seu pai sem o efeito colateral indesejado.

O ácido acetilsalicílico foi então testado clinicamente e entrou no mercado em 1899. O nome aspirina foi escolhido por Heinrich Dreser, chefe de química farmacêutica da Bayer. O que levou à escolha do nome aspirina ainda gera controvérsias. Especula-se, entre outras hipóteses, que o nome possa ser um tributo a St Aspirinus, um bispo Napolitano, patrono das dores de cabeça. De qualquer forma, a aspirina foi um sucesso instantâneo e nos anos que se seguiram foram descobertas suas propriedades analgésicas, antipiréticas e antiinflamatórias. Mais recentemente, em adição a essas propriedades, a molécula parece ser ativa contra doenças do coração, contusões e até mesmo câncer.

Mas como funciona?

A aspirina e muito efetiva contra a dor proveniente da inflamação, processo através do qual os tecidos do corpo respondem a uma lesão, infecção ou algumas outras condições tais como a artrite reumatóide. Considere, por exemplo, a resposta do organismo a uma infecção bacteriana. Quando a bactéria penetra na pele ela é reconhecida por certos tipos de células sangüíneas. Por exemplo, os macrófagos reconhecem os produtos bacterianos e suas toxinas, e vários outros mensageiros químicos produzidos por outras células no processo inflamatório. Esses mensageiros aumentam a necessidade de sono, diminuem o apetite e disparam uma série de outros mensageiros que afetam a circulação local de tal forma que as células brancas do sangue passam para os tecidos e atacam a s bactérias. Como resultado do aumento do fluxo sangüíneo e do movimento das células do sangue para a área afetada ocorre um acúmulo de líquido (edema), vermelhidão e calor, que junto com a dor caracterizam a inflamação.

A dor é causada pelos efeitos de moléculas mensageiras, particularmente a prostaglandina E 2 , liberada no processo inflamatório. Ela age diretamente nas terminações nervosas enviando mensagens ao cérebro de que algo não está bem e precisa de atenção. Células que produzem histamina ou serotonina produzem ácido araquidônico, um intermediário chave no processo dor/inflamação (a produção de ácido araquidônico é inibida pelos corticosteróidoes, por isso eles são usados em condições como a artrite reumatóide, mais isso é uma outra história). O ácido araquidônico é convertido em prostaglandinas e tromboxanas pela via das ciclooxigenases, ou a leucotrienos e eucosanóides pela via das lipoxigenases. Todos esses componentes afetam o complexo processo de inflamação e reparo de uma lesão. Dentre as espécies citadas, a prostaglandina E 2 (PGE 2 ) é a mais fortemente envolvida no processo de produção de dor. ( O subscrito indica o número de duplas ligações nas moléculas; ‘E’ indica que a molécula se dissolve bem em éter.)

Através de vários estudos foi descoberto que a ciclooxigenase é feita, na verdade, de duas espécies, a COX 1 e a COX 2 (ciclooxigenase 1 e 2). Embora as duas sejam inibidades pela aspirina, é apenas a COX 2 que está envolvida na produção de PGE 2 , e a COX 1 produz prostaciclina PGI 2 , que protege a parede do estômago contra a irritação. ( COX 1 também desempenha um papel importante na agregação de plaquetas e por isso pequenas doses de aspirina tem sido recomendadas na prevenção de doenças cardiácas).

A corrida por uma “super aspirina”.

A “aspirina” ideal seria aquela que inibiria a atividade da COX 2 sem bloquear a COX 1. Em 1996 o laboratório da multinacional alemã Boehringer produziu o Meloxicam, uma nova droga de efeitos analgésicos/antiinflamatórios com poucos efeitos colaterais. O Meloxicam inibe seletivamente a COX 2, e por isso causa menor irritação gástrica que sua antecessora.

Respondendo agora à nossa pergunta inicial, ” Como a aspirina sabe onde agir?” – ela não sabe!, mas interage com qualquer ciclooxigenase disponível no organismo. Embora ela bloqueie o processo inflamatório e diminua a dor, também inibe a proteção das paredes estomacais o que pode causar dor. A medicina, no entanto, é uma faca de dois gumes. Enquanto a maior compreensão dos mecanismos pelos quais as drogas mais antigas agem nos permite criar novas drogas, com ações muito mais específicas, como o Meloxicam, talvez decretando a aspirina como uma droga centenária, temos de nos lembrar que futuros estudos a respeito da dor poderão mostrar os efeitos colaterais de seu sucessor que ainda não foram descobertos.

Obs.: Esse artigo é de 1998. Hoje existem diversos inibidores de COX-2 que foram retirados do mercado, por exemplo o famoso, e caro na época, Vioxx®.

No próximo artigo falarei mais sobre o uso indiscriminado de antiinflamatórios.

A origem do “Diagrama de Linus Pauling”

Quando cheguei na universidade e comecei a ler os livros de química de outros países, fiquei muito surpreso, pois nunca encontrava nosso famoso Diagrama de Linus Pauling. Quando encontrei o livro General Chemistry – Linus Pauling, pensei, agora acho o diagrama: nada! Nem uma linha. Continuei a procura e, no máximo, encontrava em outros livros alguns esquemas semelhantes, porém invertidos: as setas do diagrama eram pra cima e não pra baixo como fomos acostumados. Ao conversar com os professores na universidade eles confirmavam: o diagrama não é do Pauling. E até hoje, os livros de outros países citam o diagrama como um “mnemônico” para não precisar decorar a famosa sequência:
1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d e por aí vai…..
Essa sequência pode ser obtida somando os números quânticos n e l e aplicando uma regrinha, mas o diagrama é muito, muito mais fácil. Consultando livros brasileiros muito antigos, encontramos esse diagrama e o método é descrito como processo das diagonais, mas os livros não citam a fonte.

Depois de muito consultar encontrei o diagrama em livros antigos de química inorgânica, e um deles (Moeller) cita a fonte: Journal Of Chemical Education (JCE), 1947, veja a foto abaixo:
PAO_FAN

Essa é a origem de nosso diagrama, devia se chamar Diagrama de PAO-FANG YI.

Na edição seguinte, o JCE recebe uma carta de L.M.Simmons, criticando o diagrama, e mostrando uma adaptação para um diagrama já publicado em uma revista de física, veja abaixo:
LMSimmons

Como pudemos ver, fora do Brasil, aqueles que conheciam o diagrama mas não lembravam da origem, não inventaram um nome para ele. Já aqui, disseminou-se o uso de Diagrama de Linus Pauling. Não descobri quem começou esse uso, o fato é que isso foi copiado e ainda hoje é usado, até em questões de vestibulares.
Como gosto muito de história, não vou usar o nome Diagrama de Linus Pauling. Porém, chamar de diagrama de PAO-FANG YI não vai ajudar ninguém, não é mesmo? Mais um nome para vocês memorizarem e que não ajuda nada (talvez por isso inventaram essa mentira, que de tanto ser contada…..).
É isso.

PS.: A internet é uma ferramenta mágica. Assistam o vídeo abaixo.
Aula Linus Pauling
Ele mostra o Linus Pauling dando uma aula (uma graça, de terno e gravata, super elegante e incrivelmente claro em suas explicações). Reparem que ele não usava o tal diagrama. Claro, ele sabia a sequência de cor né?

Imagem

Royal Society – 1660 por Thomas Sprat

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Royal Society 1662

Figura que ilustra o livro: The History of the Royal-Society of London, For the Improving of Natural Knowledge. Nessa época começa a se desenvolver a Ciência Moderna.

Disponível em:http://www.royalcollection.org.uk/collection/1057783/the-history-of-the-royal-society-of-london-for-the-improving-of

Na foto podemos observar Francis Bacon (Artivm Instauravtor). Procure lembrar de nossa discussão em sala e identificar na figura elementos que representam as atividades dos fundadores da Royal Society. Essas informações serão importantes no teu curso de história.

Como representar átomos e íons, normas IUPAC.

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A IUPAC estabelece normas para representarmos as espécies químicas. No link abaixo você pode conferir parte do texto, em inglês (sorry), do Red Book de 2011.

Aqui uma pequena prévia:

redbook1

http://books.google.com.br/books?id=qRlB5jeDZPkC&pg=PR4&lpg=PR4&dq=ISBN:%09978-1-84973-007-5&source=bl&ots=accnHV6IL3&sig=E93kczu8VU2zBZGf2YBKEZvX_hU&hl=pt-BR&sa=X&ei=VDo5UYuBNoSc9gSrioCACQ#v=onepage&q=ISBN%3A%09978-1-84973-007-5&f=false